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	<title>Amor de Três</title>
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	<description>Uma história real e detalhada sobre a melhor parte da minha vida.</description>
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		<title>Amor de Três</title>
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		<title>7 &#8211; Pessoas</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Dec 2009 23:31:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>malprestes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Amor de três]]></category>

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		<description><![CDATA[Dúvidas são inevitáveis para qualquer um. Desde as mais simples às mais complexas. O bom é que eu tinha uma professora à minha disposição quando essas dúvidas surgiam.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=amordetres.wordpress.com&amp;blog=10832950&amp;post=54&amp;subd=amordetres&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Quando eu avisei Anabele e Matheus que eu tinha uma surpresa para eles, duvido muito que eles tenham sequer imaginado que a surpresa era Angus, o pintinho. Anabele achou uma graça, Matheus me questionou perguntando se um pinto naquele apartamento já não era o suficiente.</p>
<p style="text-align:justify;">Não demorei muito, porém, para convencer Matheus que Angus era amiguinho e não representava grande ameaça para ele. E assim como eu fui me acostumando com minha vida com os dois (agora três), Matheus foi se acostumando com Angus e eu, Anabele e Matheus nos acostumamos com os pios estridentes de Angus, ainda mais quando ele se acostumou com uma camiseta velha de Matheus e somente ficava ali, dormindo embolado nela.</p>
<p style="text-align:justify;">Silenciosamente combinamos respeitar a inocência de Angus e, quando a coisa esquentava (onde quer que fosse), retirávamos ele do recinto em questão para que ele não precisasse se surpreender com nada que fosse além de sua compreensão de pintinho.</p>
<p style="text-align:justify;">Num dos finais de semanas em que Matheus tinha que trabalhar na lanchonete, eu e Anabele estávamos enroscadas na cama após uma divertida atividade para dispensar o tédio, eu acariciava seus cabelos com as pontas dos dedos, ela passava a mão delicadamente pela minha barriga, quando perguntei algo que passava pela minha cabeça já há algum tempo:</p>
<p style="text-align:justify;">- Você já parou para pensar&#8230; O que nós somos?</p>
<p style="text-align:justify;">- Como assim? Em que sentido você quer dizer?</p>
<p style="text-align:justify;">- Ah, você sabe&#8230; -percebi o quanto não me sentia à vontade falando nisso- Quanto ao relacionamento acho que somos três amigos que se gostam muito e&#8230; transam às vezes. -eu ri, ela também- mas nós duas? O Matheus pode se dizer hétero tranquilamente, afinal, nós duas somos garotas. Mas e eu e você? Somos&#8230; Bissexuais?</p>
<p style="text-align:justify;">Anabele me deu um sorriso que eu já conhecia, um sorriso que ela provavelmente dava para as crianças de quem era professora, longe de ser provocadora, mas sim paciente e disposta a dar explicações a indagações que às vezes nem tinham resposta (&#8220;Tia Ana, meu pai diz que Deus está em nossos corações e em todos os lugares. Como ele pode estar em nossos corações e em todos os lugares ao mesmo tempo?&#8221; ou &#8220;Tia Ana, quem inventou as horas, sabia que horas eram?&#8221;).</p>
<p style="text-align:justify;">- O que eu e o Matheus temos em comum?</p>
<p style="text-align:justify;">Apesar de nunca ter nem colocado os pés dentro da escolinha que Anabele dava aulas, tinha certeza que era mais ou menos daquela mesma forma que ela respondia às perguntas de seus pupilos.</p>
<p style="text-align:justify;">- Vocês dois&#8230; Moram nesse apartamento&#8230; São&#8230; As duas pessoas mais importantes na minha vida e por quem eu estou completamente apaixonada e são muito, muito quentes. -apesar de correr o risco de não responder a resposta à minha própria pergunta, comecei a beijar o pescoço de Anabele, descendo pelo seu cólo e seios nus. Ela ergueu meu queixo para olhar para ela:</p>
<p style="text-align:justify;">- Nós dois somos pessoas, Marília. Assim como você também é uma. E pessoas se apaixonam por pessoas. Simples assim. Na sua cidadezinha não tinha homens que há um bom tempo estavam casados, filhos, família&#8230; E de repente, sai aquele boato verdadeiro de que ele largou tudo para morar com outro homem? -ela deu uma pausa didática- Bom, a paixão pela mulher deve ter acabado, apesar de ele ainda amá-la como mãe de seus filhos e amar os filhos incondicionalmente como todo pai de verdade, ele se apaixonou por outra pessoa.</p>
<p style="text-align:justify;">Eu sorri. Anabele <em>realmente</em> nascera para ser professora e explicar os estranhos mistérios da vida para quem quer que fosse. Ela sabia deixar as coisas incrivelmente simples. Beijei-a nos lábios.</p>
<p style="text-align:justify;">- Obrigada.</p>
<p style="text-align:justify;">Ela me sorriu novamente, mas dessa vez foi aquele sorriso provocativo que eu tanto conhecia.</p>
<p style="text-align:justify;">- Obrigada nada. Tudo tem o seu preço, moça.</p>
<p style="text-align:justify;">E nos distraímos novamente.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/amordetres.wordpress.com/54/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/amordetres.wordpress.com/54/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/amordetres.wordpress.com/54/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/amordetres.wordpress.com/54/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/amordetres.wordpress.com/54/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/amordetres.wordpress.com/54/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/amordetres.wordpress.com/54/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/amordetres.wordpress.com/54/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/amordetres.wordpress.com/54/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/amordetres.wordpress.com/54/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/amordetres.wordpress.com/54/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/amordetres.wordpress.com/54/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/amordetres.wordpress.com/54/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/amordetres.wordpress.com/54/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=amordetres.wordpress.com&amp;blog=10832950&amp;post=54&amp;subd=amordetres&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>6 &#8211; Angus</title>
		<link>http://amordetres.wordpress.com/2009/12/18/6-angu/</link>
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		<pubDate>Fri, 18 Dec 2009 20:48:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>malprestes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Amor de três]]></category>
		<category><![CDATA[Só sobre mim.]]></category>

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		<description><![CDATA[Assim como Anabele e Matheus, eu resolvi ajudar alguém. Não da mesma forma, exatamente.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=amordetres.wordpress.com&amp;blog=10832950&amp;post=47&amp;subd=amordetres&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Assim como acontece com todo tipo de coisa boa, também  não demorou muito para eu me me acostumar com aquele estilo de vida. Matheus era um cara muito bonito, Anabele era o tipo de mulher doce e sensual ao mesmo tempo, eu&#8230; podia suportar aquilo.</p>
<p style="text-align:justify;">Sempre que não tínhamos o que fazer nos deixávamos levar por uma música, um cheiro, um ritmo. Sem compromisso, só cumplicidade e paixão.</p>
<p style="text-align:justify;">Até que um dia, estava lá eu no apartamento, sozinha mais uma vez enquanto Matheus e Anabele trabalhavam e um sentimento estranho se aflorou em mim: eu estava sendo comodista.</p>
<p style="text-align:justify;">E, caramba, eu não suportava essa ideia. Comodismo não era para mim! Pelo menos não depois que eu sai debaixo das asas dos meus pais.</p>
<p style="text-align:justify;">Em uma questão de minutos eu levantei e saí do apartamento. Estava decidida: Iria encontrar um emprego. Qualquer coisa que preenchesse o meu tempo e, ao mesmo tempo, fizesse com que eu pudesse ajudar em alguma coisa Matheus e Anabele.</p>
<p style="text-align:justify;">Nós morávamos em uma quadra afastada do centro, e por isso, naturalmente ali havia se desenvolvido algum comércio para que as pessoas não precisassem se deslocar tanto para comprar um fósforo ou cortar o cabelo, por exemplo.</p>
<p style="text-align:justify;">A primeira chance que me veio ã cabeça foi quando passei na frente de uma loja de animais. Não cachorros e gatinhos como uma <em>pet shop </em>de senhoras ricas, mas pintinhos e pássaros não necessariamente bonitos. Entrei, a loja fedia ã titica misturada com penas e ração.</p>
<p style="text-align:justify;">Logo fui vista por um senhor de uns quase cinquenta anos que se apressou em me atender.</p>
<p style="text-align:justify;">- Bom dia, em que posso ajudá-la, moça?</p>
<p style="text-align:justify;">- Oi, -até hoje começar assim me parece estúpido, mas não adianta, essa sou eu- eu estava pensando se o senhor não precisa de alguém para ajudar com a loja. Na limpeza, até. -queria que minha última frase soasse como &#8220;limpar sua simpática loja fedorenta&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">- Ah, -o homem pareceu decepcionado por eu estar procurando dinheiro, e não trazendo-o- desculpe moça, mas no momento não estamos contratando ninguém. Na verdade, do jeito que estão as coisas falta pouco para nós termos que fechar. -ele olhou pela loja- Não tem muita gente querendo bichos de fazenda ultimamente. -ele deu um risinho triste- Pudera. Estamos em Curitiba, não?</p>
<p style="text-align:justify;">- Sério? -foi mais uma pergunta retórica.</p>
<p style="text-align:justify;">- Bom, sim. Estou quase chegando ao ponto em que ou eu alimento os animais ou a mim mesmo. -ele voltou para trás do balcão, eu podia ver que estava realmente arrasado- Só tenho pena dos bichos. Eles não vivem na natureza&#8230; Os pássaros eu até posso soltá-los, com a esperança de que eles sobrevivam&#8230; Mas os pintinhos&#8230; Vão virar ração.</p>
<p style="text-align:justify;">Por um momento achei que ele estivesse brincando. De fato, nunca estaria pronta para o conhecimento que me seria passado em seguida.</p>
<p style="text-align:justify;">- Como assim? -perguntei esperando a explicação correta.</p>
<p style="text-align:justify;">- Bom, moça. Achei que você soubesse&#8230; Pintinhos que, por algum motivo, não servem mais, viram ração para outros pintinhos. Acontece até na seleção deles. Os que são considerados fraquinhos demais são descartados.  Viram ração, literalmente.</p>
<p style="text-align:justify;">Olhei para aqueles pintinhos, amarelinhos. Piando sem parar nos meus ouvidos de forma quase perturbadora. Aqueles bichinhos que não tinham nem quinze centímetros eram transformados em&#8230; ração.</p>
<p style="text-align:justify;">Foi aí que meu objetivo original de dar uma colaboração minimamente significativa para Matheus e Anabele acabou e se tornou em um pintinho chamado Angus.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/amordetres.wordpress.com/47/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/amordetres.wordpress.com/47/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/amordetres.wordpress.com/47/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/amordetres.wordpress.com/47/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/amordetres.wordpress.com/47/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/amordetres.wordpress.com/47/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/amordetres.wordpress.com/47/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/amordetres.wordpress.com/47/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/amordetres.wordpress.com/47/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/amordetres.wordpress.com/47/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/amordetres.wordpress.com/47/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/amordetres.wordpress.com/47/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/amordetres.wordpress.com/47/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/amordetres.wordpress.com/47/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=amordetres.wordpress.com&amp;blog=10832950&amp;post=47&amp;subd=amordetres&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>5 &#8211; Meus dilemas</title>
		<link>http://amordetres.wordpress.com/2009/12/17/meus_dilemas/</link>
		<comments>http://amordetres.wordpress.com/2009/12/17/meus_dilemas/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 17 Dec 2009 18:27:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>malprestes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Só sobre mim.]]></category>

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		<description><![CDATA[O dia seguinte...<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=amordetres.wordpress.com&amp;blog=10832950&amp;post=42&amp;subd=amordetres&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Acordei no dia seguinte com uma estranha sensação no meu braço direito. Havíamos terminado a &#8220;brincadeira&#8221; na cama e dormimos uns por cima dos outros mesmo e, assim como a minha perna estava sobre a perna de Anabele, Matheus estava deitado em cima do meu braço.</p>
<p style="text-align:justify;">Puxei o braço devagar para não acordá-lo, esperando pela sensação mais que perturbadora de formigamento que viria momentos depois. Olhei para os dois deitados, dormindo profunda e calmamente. A noite anterior fora uma das noites mais intensas da minha vida.</p>
<p style="text-align:justify;">Levantei e fui de pés descalços, tentando fazer o menor barulho possível pelo assoalho velho e barulhento e fui imediatamente ao banheiro, planejando tomar um banho demorado.</p>
<p style="text-align:justify;">Eu já me sentia à vontade para demorar no banho o quanto achasse necessário (não que eu demorasse muito), depois do que havia acontecido na noite passada então&#8230; O banheiro estava todo dominado pelo vapor por causa da água quente quando eu ouvi o barulho da porta.</p>
<p style="text-align:justify;">- Não vá me dizer que você é dessas que tem o que quer e depois sai correndo. -ouvi a voz de Anabele.</p>
<p style="text-align:justify;">Passei a mão pelo box de vidro para desembaçá-lo um pouco para que eu pudesse enxergá-la.</p>
<p style="text-align:justify;">- Não. Sou daquelas que toma banho. Só isso. -eu sorri passando a mão pelos cabelos molhados- Desculpe se te acordei.</p>
<p style="text-align:justify;">- Ah, não. Eu já estava acordada mesmo&#8230; -disse Anabele. Ela pegou a escova de dentes e começou o ritual higiênico matinal- Até porque já é mais de meio dia.</p>
<p style="text-align:justify;">- Hoje é domingo. -sorri de forma maliciosa e passei a mão pelo box que já estava todo embaçado novamente- Quer vir tomar banho também?</p>
<p style="text-align:justify;">Não posso dizer que achei normal o fato de ela olhar para mim da forma mais natural possível para dizer um &#8220;Não obrigada, vou fazer o café primeiro&#8221; como se eu estivesse convidando-a para tomar um suco. Cada vez mais eu me surpreendia.</p>
<p style="text-align:justify;">- E o Matheus? Já acordou? -perguntei sem parecer surpresa pela última resposta.</p>
<p style="text-align:justify;">- O Matheus? -cuspiu a pasta de dente- Provavelmente irá dormir até amanhã&#8230; -riu Anabele- Ele <em>realmente</em> aproveita quando não precisa acordar cedo.</p>
<p style="text-align:justify;">Ela enxugou a boca e o rosto. Olhou simpaticamente:</p>
<p style="text-align:justify;">- E então? Quer alguma coisa de especial para comer?</p>
<p style="text-align:justify;">- Não, obrigada. Qualquer coisa pra mim está bom.</p>
<p style="text-align:justify;">Ela saiu e eu continuei tomando o meu banho percebendo que estava me relacionando com dois dilemas. O que era, obviamente, ainda mais interessante.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/amordetres.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/amordetres.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/amordetres.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/amordetres.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/amordetres.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/amordetres.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/amordetres.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/amordetres.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/amordetres.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/amordetres.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/amordetres.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/amordetres.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/amordetres.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/amordetres.wordpress.com/42/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=amordetres.wordpress.com&amp;blog=10832950&amp;post=42&amp;subd=amordetres&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>4 &#8211; Intimidade</title>
		<link>http://amordetres.wordpress.com/2009/12/13/4-intimidade/</link>
		<comments>http://amordetres.wordpress.com/2009/12/13/4-intimidade/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 14 Dec 2009 01:09:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>malprestes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Amor de três]]></category>
		<category><![CDATA[Só sobre mim.]]></category>

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		<description><![CDATA[Não é necessário ter anos de convivênciar para se ter uma intimidade "à flor da pele". Eu aprendi isso com Matheus e Anabele.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=amordetres.wordpress.com&amp;blog=10832950&amp;post=37&amp;subd=amordetres&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">E como se fosse a coisa mais natural do mundo, de repente eu não me sentia mais tão estranha. Passei mais uma noite no apartamento de Anabele e Matheus&#8230; No outro dia, tentei ir embora (sem muita convicção, devo admitir), e dessa vez foi Matheus quem me impediu dizendo que estava preparando um pudim de leite especialmente para mim.</p>
<p style="text-align:justify;">E fiquei mais um dia&#8230; E outro&#8230; E outro&#8230; De repente, Matheus e Anabele saiam para trabalhar e eu ficava dando uma organizada no apartamento, fazendo as compras no mercadinho da esquina com um dinheirinho que eles deixavam colado na geladeira com ímã.</p>
<p style="text-align:justify;">Era como se desde o começo nós tivéssemos decidido dividir aluguel e nos conhecêssemos desde o jardim de infância. Antes de me mudar para Curitiba minha mãe me dizia que eu não poderia mais contar com o fato de conhecer uma a cada três passantes na rua e que, se eu precisasse de alguma coisa, confiar em alguém disposto a ajudar poderia ser uma armadilha. Mas também dizia que tem pessoas que bastam menos de três minutos de conversa para você perceber que é íntima à elas.</p>
<p style="text-align:justify;">Minha mãezinha paradoxal tinha toda razão.</p>
<p style="text-align:justify;">Não demorou muitas noites, nós três já estávamos nos sentindo totalmente à vontade uns com os outros. Não estou sendo repetitiva, quero dizer à vontade em um sentido mais profundo.</p>
<p style="text-align:justify;">Era um sábado à noite. Um frio desgraçado desencorajando qualquer um a sair da rua. Eu, Matheus e Anabele deitados no sofá, sobre dois cobertores grossos, sob a luz da televisão de vinte polegadas. Matheus e Anabele aninhados em um lado, eu do outro.</p>
<p style="text-align:justify;">Foi então que aconteceu um daqueles momentos cármicos em que o que está passando na televisão não é interessante, e todo mundo fica em silêncio&#8230; Isso após algum assunto sumamente &#8220;caliente&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">Certo, pode nunca ter acontecido com vocês em três pessoas, mas em duas acho que já.</p>
<p style="text-align:justify;">No nosso caso, éramos três.</p>
<p style="text-align:justify;">Do lado contrário do sofá, Matheus começou a passar o nariz carinhosamente no nariz de Anabele e ela puxou ele pelo queixo, como se fosse pela barbicha que mal existia ali. Eles se beijaram em meio a sorrisos.</p>
<p style="text-align:justify;">E eu ali, acompanhada pela luz vacilante da televisão.</p>
<p style="text-align:justify;">Se alguém nunca teve a (muito) incômoda experiência de sobrar (o que eu acho muito improvável) fique sabendo: É ruim pra caralho.</p>
<p style="text-align:justify;">E o pior é que é verdade o que dizem, antes da primeira vez é fácil se controlar, depois que você sabe o que é bom subir pelas paredes torna-se fácil.</p>
<p style="text-align:justify;">Juro por qualquer coisa que quiserem, não sou do tipo que curte um voyerismo, na verdade, até acho meio sem graça, gosto mesmo é de participar da ação, mas eu tava matando cachorro a grito.</p>
<p style="text-align:justify;">Matheus e Anabele pareceram esquecer completamente de mim ali, ou realmente não se importavam com a minha presença. O beijo começou a ficar mais ardente e as mãos de Matheus desceram naturalmente para os seios de Anabele.</p>
<p style="text-align:justify;">As pernas dos dois já antes entrelaçadas se mexiam no ritmo do momento, e as minhas estavam sob os mesmos cobertores. Até hoje não sei se foi proposital ou não, mas o pé delicado de Anabele começou a roçar na minha panturrilha e aos poucos a ir além da panturrilha.</p>
<p style="text-align:justify;">Os beijos estavam quentes e eu ainda pensava em me esforçar para fechar a boca e fingir prestar atenção no humorístico sem graça, Matheus desceu os beijos para o pescoço de Anabele. Nos primeiros segundos ela fechou os olhos saboreando o momento, depois abriu e olhou para mim. Sorriu.</p>
<p style="text-align:justify;">Não mais aquele sorriso simpático que eu já conhecia. Era um sorriso quente.</p>
<p style="text-align:justify;">Sem parar de sorrir ela baixou o rosto para beijar a bochecha de Matheus. Chegou à orelha dele, sussurrou alguma coisa que eu nem prestei atenção (apesar de ter ouvido absolutamente pela falta de distância entre nós), e mordiscou o lóbulo da orelha dele.</p>
<p style="text-align:justify;">Eu pude ver na expressão dele que ele sorriu também, apesar de não ver sua boca atrás do pescoço de Anabele. Eles pararam, olharam para mim com sorrisos gêmeos e foram para baixo da coberta.</p>
<p style="text-align:justify;">Primeiro Matheus veio e sentou ao meu lado como estava antes com Anabele, passando seu braço definido pelos meus ombros. Anabele encostou-se na espaldeira do sofá e colocou as pernas para o lado. Os dois próximos de mim, e, por baixo da coberta, nenhum dos três mais sabia que perna era de quem.</p>
<p style="text-align:justify;">Matheus beijou minha bochecha. Eu já havia sido criada suficientemente para saber o que estava prestes a acontecer ali.</p>
<p style="text-align:justify;">Obviamente, não pensei nenhuma vez para encorajá-los mais ainda.</p>
<p style="text-align:justify;">Matheus beijava minha bochecha descendo para o pescoço e Anabele beijava o pescoço dele. Eu virei o rosto e deixei que os lábios dele encontrassem com os meus. Não sei exatamente de quem era a mão passeando pela minha coxa, mas estava muito bom.</p>
<p style="text-align:justify;">Matheus e eu nos beijávamos de forma cada vez mais quente quando Anabele pulou do pescoço dele para o meu. Ela gentilmente segurou o meu rosto com as duas mãos e Matheus ficou olhando enquanto ela começava a me beijar carinhosamente.</p>
<p style="text-align:justify;">Ao contrário de Matheus, o beijo de Anabele não começou quase que imediatamente com a língua e nossos lábios simplesmente brincaram por um bom tempo, sentido o cheiro doce uma da outra e o hálito morno e fresco de hortelã ao mesmo tempo.</p>
<p style="text-align:justify;">Matheus cheirava pós-barba mentolado, e quando sentia o cheiro dele era como se fosse direto para o cérebro, já Anabele tinha cheiro de sabonete e após muito nos sentirmos, ela encostou sua boca à minha realmente e nós nos beijamos de verdade.</p>
<p style="text-align:justify;">Alguém que visse de fora provavelmente veria uma cena típica de filme pornô, com o machão potente prestes a &#8220;faturar&#8221; duas mulheres ao mesmo tempo que só estavam querendo provocá-lo, mas nós nos sentiamos quentes e naturais e eu e Anabele não estávamos de forma alguma simplesmente provocando Matheus, mas sim apreciando verdadeiramente aquele momento entre nós duas.</p>
<p style="text-align:justify;">Matheus voltou a &#8220;participar&#8221; beijando o pescoço de Anabele. Passei minha mão pela nuca dela e senti os seus cabelos se arrepiarem. Anabele virou-se para Matheus e passou da minha boca à dele. Mas foi a minha blusa que ela começou a puxar para cima.</p>
<p style="text-align:justify;">Nos entregamos uns aos outros tão naturalmente quanto duas pessoas apaixonadas. Cada um de um modo, cada um preocupado em satisfazer também os outros dois. Às vezes só ver já era excitante, outras vezes era a confusão de mãos, toques, corpos e cheiros.</p>
<p style="text-align:justify;">Matheus fez parte de mim, Anabele também. E quando terminamos, horas depois, era como se fôssemos um só.</p>
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		<title>3 &#8211; O início da minha vida</title>
		<link>http://amordetres.wordpress.com/2009/12/09/3-o-inicio-da-minha-vida/</link>
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		<pubDate>Wed, 09 Dec 2009 14:24:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>malprestes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Amor de três]]></category>
		<category><![CDATA[Só sobre mim.]]></category>

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		<description><![CDATA[Todo mundo tem um momento na vida em que há alguma coisa, não necessariamente grande, que muda completamente as nossas vidas. Uma vez eu vi em algum lugar que os momentos bons acontecem após enfrentarmos verdadeiras batalhas, construindo o que queremos de pouco em pouco, mas os momentos realmente inesquecíveis podem acontecer em apenas um [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=amordetres.wordpress.com&amp;blog=10832950&amp;post=33&amp;subd=amordetres&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Todo mundo tem um momento na vida em que há alguma coisa, não necessariamente grande, que muda completamente as nossas vidas. Uma vez eu vi em algum lugar que os momentos bons acontecem após enfrentarmos verdadeiras batalhas, construindo o que queremos de pouco em pouco, mas os momentos realmente inesquecíveis podem acontecer em apenas um segundo.</p>
<p style="text-align:justify;">Eu não havia premeditado conhecer aquele casal, não havia imaginado, principalmente, e, de repente, eles faziam parte da minha vida.</p>
<p style="text-align:justify;">Após estar recuperada comecei a perceber os detalhes daquele apartamento enquanto ajudava Anabele a colocar algumas coisas em ordem. Não haviam muitos porta-retratos, na verdade, dos dois mesmo, apenas um ao lado da cama. Matheus e Anabele vestidos de branco provavelmente em uma festa de fim de ano sorrindo.</p>
<p style="text-align:justify;">Prestei atenção no rosto delicado dele, mas com um queixo firme que dava-lhe uma aparência segura. Os cabelos castanhos eram cortados bem curtos (eu não saberia dizer se ele continuava com o mesmo corte naquele momento) e um físico não necessariamente forte, na verdade, era até um pouco magro, mas a camisa dobrada até o cotovelo deixava a mostra o antebraço definido.</p>
<p style="text-align:justify;">Na foto, Anabele tinha um sorriso sincero e divertido. Eu não precisei olhar na foto para perceber o corpo perfeito e o rosto delicado que ela tinha juntamente com cabelos morenos que iam até um pouco mais que os ombros e tinham um ondulado natural.</p>
<p style="text-align:justify;">Eu sempre fui sincera em achar mulheres mais bonitas do que eu (apesar de eu ter lá o meu charme, frize-se) e Anabele com certeza era uma dessas.</p>
<p style="text-align:justify;">Após ajudá-la com as pequenas organizações, ela me convidou para sentarmos em um sofá velho na sala pequena e começou a me contar. Ela era de Santa Catarina e havia se mudado aos dezesseis anos para Curitiba após anos de economia e vencer a relutância dos pais (a quem não via praticamente desde que havia se mudado), lá começara dividindo o apartamento com uma moça que trabalhava no Hospital Pequeno Príncipe, mas elas brigaram feio pelo modo de vida libertário de Anabele.</p>
<p style="text-align:justify;">Matheus apareceu como o amigo do amigo do amigo, coisa normal, precisava dividir aluguel e Anabele não pensou duas vezes em se candidatar. No começo eles quase não se falavam, com ele trabalhando direto na lanchonete e ela, na época, trabalhando como secretária em um escritório de contabilidade, mas aos poucos foram ficando amigos e ficaram algumas vezes também.</p>
<p style="text-align:justify;">Anabele falou que na verdade eles não eram <em>realmente </em>namorados, mas era difícil de definir a relação deles. Dormiam na mesma cama e, quando batia carência, um estava lá para o outro. Mas ao contrário de relações entre namorados, um não se importava se o outro quisesse passar a noite na casa de outra pessoa. Resumidamente, eles tinham uma relação aberta e dividiam o apartamento.</p>
<p style="text-align:justify;">Perguntei se ela não se incomodava de ter algo pouco estável (como se eu fosse a pessoa mais estável do mundo), mas ela falou que eles funcionavam daquela forma e desde que os pais dos pequenos alunos dela não descobrissem estava tudo bem.</p>
<p style="text-align:justify;">- Então você dá aulas?</p>
<p style="text-align:justify;">- Para crianças. Numa creche. São realmente incríveis. Eu odiaria ser despedida por qualquer bobagem como um pai reclamando da minha conduta pessoal.</p>
<p style="text-align:justify;">- Nenhum pai tem a ver com a sua &#8220;conduta pessoal&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">- Fale isso pra eles então.</p>
<p style="text-align:justify;">Após longas conversas, risos, eu contando a minha história, ela contando as dela, eu achei que talvez fosse hora de acordar do sonho e ir para a vida nada confortável que eu tinha novamente.</p>
<p style="text-align:justify;">- Eu acho melhor eu ir agora. -eu disse olhando para fora. Era final de tarde e o sol começava a baixar novamente trazendo aos poucos uma temperatura mais baixa.</p>
<p style="text-align:justify;">- Mas por quê?</p>
<p style="text-align:justify;">- Porque&#8230; Vocês provavelmente não querem que eu fique aqui atrapalhando.</p>
<p style="text-align:justify;">- Atrapalhando o quê? -disse Anabele com um sorriso- Matheus disse que traria comida para nós duas da lanchonete. Como você acha que vai ficar se ele trouxer e você não estiver aqui? Vai deixar sobrar?</p>
<p style="text-align:justify;">Fiquei sem argumentos. Aprendi naquele momento que Anabele tinha uma sinceridade visível. Como poderia uma coisa tão simples de ser resolvida fazer com que eu ficasse por ali, me sentindo um atrapalho?</p>
<p style="text-align:justify;">E o engraçado é que funcionou.</p>
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		<item>
		<title>2 &#8211; O Resgate</title>
		<link>http://amordetres.wordpress.com/2009/12/08/o-resgate/</link>
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		<pubDate>Tue, 08 Dec 2009 16:05:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>malprestes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Amor de três]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando Matheus e Anabele me viram lá, encharcada, com frio, por algum motivo sem explicação, talvez destino, talvez empatia, talvez um lapso de solidariedade, eles foram até mim, me levantaram do chão e, com algum custo me levaram ao pequeno apartamento deles. Antes de isso acontecer comigo nunca havia imaginado que algo parecido seria possível. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=amordetres.wordpress.com&amp;blog=10832950&amp;post=17&amp;subd=amordetres&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando Matheus e Anabele me viram lá, encharcada, com frio, por algum motivo sem explicação, talvez destino, talvez empatia, talvez um lapso de solidariedade, eles foram até mim, me levantaram do chão e, com algum custo me levaram ao pequeno apartamento deles.</p>
<p>Antes de isso acontecer <em>comigo</em> nunca havia imaginado que algo parecido seria possível. Foi a típica cena de cinema. Quantas vezes já ouvimos relatos assim <em>de verdade</em>. Ficou difícil de acreditar até para mim.</p>
<p>Não bastando levar uma completa estranha para dentro do próprio lar, Matheus (um exímio cozinheiro) fez uma deliciosa sopa de macarrão com legumes, enquanto Anabele me despia de minhas roupas frias e me abraçava embaixo do chuveiro quente sem se importar com suas próprias roupas ou cabelo ficando também molhados.</p>
<p>Me deram roupas secas, me alimentaram e me colocaram para dormir na própria cama deles. Uma solidariedade absurda até para mim, que vivi tudo isso. Tempos depois eu sabia que, se eu estivesse no lugar deles, nunca teria feito algo assim por alguém que nem conhecia! Mas eles fizeram.</p>
<p>Quando acordei, senti a sensação de conforto que eu não sentia já há algum tempo. A cama quente fazia com que o clima de fora parecesse não ser real, apesar da janela embassada pelo frio. Fechei os olhos novamente e voltei a dormir com aquela paz dentro de mim.</p>
<p>Na manhã seguinte me levantei sem saber as horas. Descançada, sem sono, quase sem dores pelo corpo. Eu quase nem mais sabia como era estar daquela forma.</p>
<p>No dia anterior, meus sentidos já estavam tão afetados quando eles me recolheram que eu nem havia prestado atenção no apartamento minúsculo. Na verdade, não me lembrava de muitas coisas que haviam acontecido no dia anterior. Se por um lado tinha imagens extremamente claras em minha mente, por outro tinha algumas que viravam borrões atemporais.</p>
<p>Fui andando pelo apartamento até que achei a cozinha e lá estava Anabele, lavando pratos. Quando me viu, abriu um sorriso.</p>
<p>- Bom dia! Como se sente?</p>
<p>- Bem melhor, obrigada. -somente um pensamento me vinha a mente. Tentei moldá-lo de forma que ele saísse de minha boca o menos rude possível- POr que&#8230; Vocês me ajudaram?</p>
<p>Só hoje tenho consciência de começar perguntando o nome deles e falando algumas amenidades seria mais gentil. Naquele dia eu estava tão confusa (e talvez ainda com o cérebro um pouco congelado) que nem pensei nisso.</p>
<p>- Não sei. -respondeu Anabele- Às vezes o desejo de Deus se apresenta em nossos atos.</p>
<p>Nesse exato momento me veio à cabeça a possibilidade de eles terem feito aquilo por serem religiosos realmente praticantes. Talvez me salvaram da rua para tentar me colocar no caminho de Deus. Depois vi que eles não estavam negociando seu pedaço no céu.</p>
<p>- Qual é o seu nome? -ela acabou com o silêncio.</p>
<p>- Marília.</p>
<p>Com a perspectiva que tenho hoje, eu me vejo como um bichinho assustado. Eu não era exatamente o que podia-se dizer de tímida, e não sei qual o motivo, mas estava me sentindo com um pouco de medo. Lembrei do filme do Bambi quando ele acaba de descobrir que sua mãe foi morta e ele se encontra sozinho, mas minha situação era totalmente oposta à do Bambi, e eu ainda assim me sentia como ele.</p>
<p>Ela enxugou as mãos com o pano de prato e estendeu a direita para que eu apertasse.</p>
<p>- Eu sou Anabale. E o autor da sopa de ontem é Matheus&#8230; meu&#8230; namorado. -pelo que pude perceber ela se esforçou para achar uma definição melhor- Ele está trabalhando agora. Trabalha em uma lanchonete aqui perto.</p>
<p>Eu apertei a mão dela. Por que sentia tamanha insegurança? O fato de eles terem me salvado não era suficiente para que eu ficasse tranquila quanto o carater deles? Pessoas são todas realmente muito confusas, só porque eles fizeram algo que eu não faria nunca, aquela desconfiança estava presente.</p>
<p>- Eu gostaria de agradecer você e o seu namorado. Vocês salvaram a minha vida. Uma completa estranha. Nem sei como recompensá-los.</p>
<p>Anabele riu. Eu percebi que ela tinha covinhas na bochecha. Eu me lembrei de um casinho que eu tive com um garoto na minha cidade que falou que eu deveria beijá-lo porque ele tinha covinhas, e pessoas com covinhas beijam melhor. Realmente, o beijo dele era bom, mas nunca realmente parei para fazer uma média com as pessoas sem covinha.</p>
<p>- Nós não tiramos você da rua para que você retribuisse de alguma forma. Precisávamos fazer nossa boa ação do dia.</p>
<p>E foi nesse momento que minha esperança na espécie humana começou a surgir.</p>
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		<item>
		<title>1 &#8211; Um prazer conhecer&#8230;</title>
		<link>http://amordetres.wordpress.com/2009/12/06/hello-world/</link>
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		<pubDate>Sun, 06 Dec 2009 16:07:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>malprestes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Só sobre mim.]]></category>

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		<description><![CDATA[Considerações iniciais sobre minha história de amor, luxúria, paixão e irregularidade.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=amordetres.wordpress.com&amp;blog=10832950&amp;post=1&amp;subd=amordetres&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:left;">Que tipo de pessoa gosta de publicar em rede mundial suas histórias de vida mais estranhas, tórridas e secretas? Bom&#8230; Eu sou esse tipo de pessoa.</p>
<p style="text-align:left;">Marília Prestes, prazer. Muito prazer. Agora já tenho um pouco mais de tempo vivido, mas na época em que meus relatos irão realmente começar eu tinha vinte anos e havia acabado de desistir do curso de odontologia da UFPR.</p>
<p style="text-align:left;">Não, não adianta correr no site da universidade tentar achar qualquer informação sobre mim (como se alguém fosse querer). Óbvio que Marília Prestes é apenas um pseudonimo. Assim como todos os outros nomes que eu relatarei aqui. Situações semelhantes às aqui apresentadas não serão mera coincidência, os nomes sim.</p>
<p style="text-align:left;">Minha história é real. Sou uma moça normal. Uma moça normal que, como tantas moças normais, se apaixona e ama profundamente. A única peculiaridade é que, bem, esse amor é por duas pessoas. E nós moramos juntos&#8230; Os três.</p>
<p style="text-align:left;">Tudo começou em um dia chuvoso na &#8220;Grande Curitiba&#8221; (como gostam de chamar os entusiastas) para onde eu havia sido mandada pelos meus pais um ano antes.</p>
<p style="text-align:left;">Como eu já disse, já havia largado os estudos e já havia criado o hábito feio de gastar todo o meu dinheiro com o que meu pai chamava de &#8220;esbórnia&#8221;.</p>
<p style="text-align:left;">Coisas pelas quais jamais havia passado na cidade de Guarapuava de onde eu saí e morei minha vida inteira, já haviam acontecido. Não porque Guarapuava fosse (ou talvez seja, faz tempo que não passo por lá) uma cidade calma e limpinha, mas porque os olhos vigilantes dos meus pais me mantinham na linha.</p>
<p style="text-align:left;">Em Curitiba, então. Tomei porres, fumei, usei os mais variados tipos de droga, transei pela primeira vez, transei no primeiro encontro, transei das mais diversas formas e categorias. Ou seja, fiz incontáveis &#8220;estripulias&#8221; que meus pais nunca permitiriam.</p>
<p style="text-align:left;">E uma dessas coisas estava prestes a acontecer quando eu estava lá, sentada, tremendo, sem comer há uns dois dias, tomando chuva. Minha roupa estava encharcada e eu já não sentia as pontas dos meus dedos. Guarapuva era mais fria, mas lá eu sempre tinha uma cama quente.</p>
<p style="text-align:left;">Foi quando eles apareceram na minha vida: Matheus e Anabele.</p>
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